SOBRE NÓS

Quase 100 anos de tradição


Sines é uma das cidades portuguesas com maior tradição carnavalesca. Já reconhecido a nível nacional nas primeiras décadas do século XX, o Carnaval de Sines - o primeiro a ter corso noturno - mistura o espírito satírico e a criatividade dos portugueses com o brilho e a energia do Carnaval do Brasil para criar um espetáculo vibrante em que toda a cidade se envolve.

O Carnaval, como nós o encaramos hoje, e segundo uma perspectiva cristã, é um tempo que permite o divertimento folgazão de todos os grupos sociais, e é também data de permissão oficial para festejar os três dias que antecedem a Quaresma também é sinónimo de Entrudo, tendo sido registado por D. Afonso II em 1252. Os costumes destas festas, de reminiscência pagã, foram-se mantendo, e o Carnaval embora adaptando costumes e características locais, universalizou-se, ultrapassando barreiras físicas e sociais.


A origem do Carnaval Sineense

Uma notícia surgida na “Folha de Sines", datada de 15 de Fevereiro de 1926, narrava assim: “Sines vai assistir a uma deslumbrante festa carnavalesca, que consta de uma recepção a suas majestades, o rei e a rainha de Maduralândia -dois verdadeiros maduros que nos visitam, envergando trajos típicos da região. Num grande cortejo percorrerá as ruas da vila indo suas majestades depor uma coroa de louros no pedestal do monumento a Vasco da Gama. Depois, haverá um “foot-mão-pinha-ball” entre o “Tirate para lá não me tisnes “ finalista de Maduralândia, e o “ Femina Baco clube” que se apresenta com cabelos à garçone.


Os “carolas”

Em 1968, aquando da tomada de posse do senhor José Simões dos Santos para presidência da edilidade, a comissão começou finalmente a ser ajudada financeiramente. Até aí, o esforço tinha sido desenvolvido por grupos de cidadãos voluntários, tais como: o grupo do Luís Faria Godinho, o grupo do Carlos Guê-Gué: o grupo Cunha/esplanada: o grupo João Lopes, etc. Segundo a D. Júlia Águas: “pedia-se ajuda ás vizinhas e comprava-se a crédito no Lopes Paulo para pagar depois do Carnaval”. É necessário não esquecer aqueles e aquelas que trabalharam nos bastidores do Carnaval, as pessoas que em sua casa, ou nas intermináveis noites do casão, concebiam os fatos que depois os figurantes deveriam depois usar: D. Maria Sequeira, D. Lucinda Jeremias, D. Maria Olímpia Campinas, D. Maria Alice Relinhas, D. Mariana do Zorro, As irmãs Botelho, D. Mariana do Guarda, D. Maria Luísa Plácido, etc., etc. (que nos perdoem aquelas que nos esquecemos de citar por ignorância).


O “grupo dos Carlos”

O Carnaval de Sines foi, durante muitos anos, um acto mais ou menos espontâneo da população e que consistia em cegadas, burricadas, e mascaradas, formadas por grupos de jovens assaltantes de varandas e janelas famosas das casas do centro da vila, armados de bagas de palmeira e tremoços, como munições, tentando ao mesmo tempo mascarrar as jovens casamenteiras de época. Por volta de 1956, surge um grupo de jovens chamados “Os Carlos” e que era composto pelos nossos conterrâneos Carlos Vilhena, Carlos Manafaia, Carlos Lopes Paulo, Carlos Águas, Carlos Guê-Gué e Agostinho Cunha, entre outros que se organizaram de forma a dar a estas manifestações de cariz popular uma estrutura mais sistemática. No ano seguinte, com a entrada para o grupo do Carlos de Vicente do Ó, Edmundo Prata, Manuel Vilhena e, mais tarde, António da Piedade, surge a 1ª comissão de Carnaval organizada para gerir os esforços dos trabalhadores que se disponibilizavam para a realização de cegadas e organização de bailes foliões, que nessa época eram levados a cabo em todas as colectividades da vila.


O Carnaval dos nossos dias

É provável que o espírito de Carnaval fosse diferente nessa altura mas a dedicação presentemente, não é menor. Claro que a ideia de que o Carnaval podia ser coisa rentável e economicamente viável não passou pela cabeça destes nossos conterrâneos, porque o sentido que os movia era uma dedicação generosa destituída de interesse. Os carros são feitos com orgulho de artistas que competem uns entre os outros pela qualidade da sua obra pela originalidade das suas ideias, e pela dificuldade na execução do seu próprio trabalho. Era um desafio a que se impunham, (porque a maior parte das vezes o trabalho era nocturno, nas horas do seu próprio lazer), e contra os meios (porque em muitos casos as despesa corriam por conta própria).

Na história mais recente do nosso Carnaval ficaram inúmeros nomes de voluntários que valeram, e alguns ainda valem, não apenas pela qualidade do seu trabalho, mas também pela quantidade, pelo enorme que conseguem desenvolver. A citar, os casos dos grupos do Liberal, do Henrique Ramos, do Biga/Passaradas e muitos outros, uma mão cheia de homens de boa vontade e espírito de sacrifício que com o seu suor fizeram do Carnaval de Sines o espectáculo de que hoje tanto nos podemos orgulhar.

Entretanto, o Carnaval cresceu, mudou, modernizou-se das exíguas ruelas da nossa vila, transferiu-se para as largas avenidas, para espaços mais vastos e amplos, mais actuais. Para sobreviver na selvática competição da modernidade teve que transformar-se e repensar integralmente a sua estrutura e o seu objectivo. Hoje é um cartaz de renome nacional com direito a publicidade nas TV’s e Spots na Rádio. Foi a partir de 1998 com a entrada para a comissão de Sérgio Bernardino (Passaradas) que se renovou por completo a ideia do espectáculo carnavalesco, ao mesmo tempo que se criavam as condições financeiras que defectivamente permitissem gerir com melhor aproveitamento as receitas que foram substancialmente e alargadas pela contratação de atracções internacionais. Acácio Santos e Luís Plácido haviam ambos de levar por diante nos anos seguintes a mesma politica de desenvolvimento do Carnaval de Sines.

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